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“D’us mandou mandamentos para serem seguidos e a Cabalá é um manual de instruçõesCabala.jpg desses mandamentos, ou seja, como praticá-los no cotidiano”, assim a gaúcha Ana Moreira define a primeira lição que aprendeu sobre o tema. Foi há mais de quatro anos, antes de fazer parte de uma turma de estudos sobre a cabalá. Na ocasião um grupo de amigas participou de um seminário sobre religiões monoteístas na Pontifícia Universidade Católica do rio Grande do Sul. Instigadas pela palestra sobre o Judaísmo, ministrada por Mimi liberow, elas decidiram saber um pouco mais sobre os fundamentos Cabalísticos. Ali nascia a primeira turma de estudos da Cabalá com mulheres de diferentes religiões organizada pelo Beit Lubavitch de Porto  alegre. “Todas nós procurávamos uma coisa a mais, que cuidasse da alma. Ali a Mimi começou a falar sobre o que é a Cabalá, que resumindo é o ‘bem viver’”, conta a participante, Suzana Etchepare. Para ela, foi um momento em que acendeu a  “luzinha no fim do túnel”, com a perspectiva de um alimento para a alma. “assim, nós pedimos para ver como era essa novidade e foi de encontro com o que esperávamos. Nos ensina a viver em harmonia, sempre com um conselho positivo. Acredito que mudou a vida de todas nós.” 

   Os encontros acontecem uma vez por semana, com início às 17h30 e, muitas vezes, sem hora para acabar. A dinâmica é simples e baseada na reciprocidade. As turmas, são sete no total, têm de 6  a 10 participantes para que todos possam trocar experiências. “São grupos pequenos para que todos possam falar. Embora não exista a necessidade de que as pessoas relatem suas intimidades, elas têm espaço, oportunidade e tempo para se expressar, tirar dúvidas e fazer comentários especificos”, revela Mimi.  As pessoas podem, a partir das suas vivências durante a semana, discutir temas relevantes às suas vidas.  Devido ao caráter abrangente da Cabalá, situações e pensamentos podem gerar benefícios práticos. “ela trata de tudo, se para ti existe, se você pensa sobre isso, a Cabalá vai enriquecer esse pensamento.  Então é muito importante aproveitar esses momentos em que as pessoas estão sendo espontâneas, porque ali existe energia”, crê Mimi.

    Para a surpresa das participantes, as aulas ministradas por representantes do judaísmo ortodoxo não eram caracterizadas por ideias excludentes. “Com o pouquinho que sabemos do judaísmo, sobretudo o ortodoxo, imaginamos um pensamento radical e fechado, mas a cabeça da Mimi é muito, muito aberta e comporta todos os questionamentos e atitudes”, afirma Ana Moreira. Já a aluna  Beth Logemann revela outra surpresa: “eu não imaginava que na Cabalá o ser mais importante fosse D’us, um D’us único, do bem, e que a importância de d’Ele está em tudo.” “afinal, temos muito mais em comum do que diferenças”, completa Mimi.

    Outro aspecto ressaltado por elas é a objetividade com que valores e conceitos que muitas vezes parecem subjetivos e abstratos podem ser facilmente aplicados no dia a dia através da Cabalá. Para Valdívia Pretto, além da tranquilidade e confiança em  D’us, a experiência fez com que valorizasse os aspectos realmente importantes da vida. “São valores simples e ensinamentos práticos. Você vai a uma aula e sempre sai com alguma coisa que pode ser aproveitada para que a vida da tua família seja melhor.” Suzana Etchepare, vê as aulas quase como uma terapia, em que aprende-se   diversos conceitos que podem ser utilizados no cotidiano, com os filhos ou para enfrentar momentos dificeis.

   Para a ex-aluna Ana Luiza Moscoso, as lições foram fundamentais para que sua vida tomasse um rumo diferente. “a Cabalá me fez ficar forte e pensar que eu tinha de fazer parte do mundo e dar a minha contribuição, sobretudo para a minha família, para que eles me sintam mais participativa.” Como consequência, a então dona de casa passou a ser, também, uma dedicada profissional. A atividade fez com que não pudesse mais participar das reuniões semanais, mas mantêm-se informada com as amigas sempre que é possível. Como católica praticante, vê a Cabalá  como um agregador positivo. “Foi uma coisa muito positiva na minha vida, pois me ensinou a olhar à frente, me deu esperança.”

   Todas  fazem questão de demonstrar o quanto o envolvimento foi benéfico para suas famílias, criando a partir da própria mudança na forma de enxergar o mundo, interesse das pessoas mais próximas. “Sempre fui mais religioso que minha esposa. Porém, com esses anos de cabalá e dessa vivência com a Mimi e com o Mendel, ela se tornou tão ou mais religiosa do que eu e reforçou a minha fé de uma forma comprovatória” conta Hugo Diebold. “Hoje, ela me puxa para que eu tenha ainda mais fé”, continua. Suane vezzani, esposa de Diebold, diverte-se ao contar que de todas era a que menos imaginava o que seria a Cabalá. Hoje sintetiza os quase cinco anos de aprendizado em uma palavra amparo. “no momento que eu aceitei a existecia de D’us e que Ele me ampara, a minha vida mudou agora a vida tem todos os espaços preenchidos, tudo passou a ter sentido e isso não existia antes.” Sobre o fato inusitado de todas terem encontrado o sentido de suas buscas em um religião diferente das suas, ela conclui: “a maestria do que nos é ensinado é mostrar que apesar das diferenças das regras de cada religião todos somos filhos de d’us e  nessa essencia é que conseguimos uma conexão.”


Para ler uma entrevista sobre as aulas com a participante Beth Logeman, clique aqui.